Um
tapa, um empurrão, um xingamento, um constrangimento, uma humilhação ou uma
ameaça... A violência contra a mulher têm várias formas. E apesar de todas as
medidas que vêm sendo tomadas nos últimos anos, a violência contra a mulher
possui proporções epidêmicas, representando um importante problema de saúde
pública global.
Os
números deixam bem claro esse cenário assustador. De acordo com dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três mulheres em todo o mundo
já sofreu violência sexual ou física. Na maioria das vezes, a agressão é
realizada por seu próprio parceiro (ou ex-parceiro). Ainda segundo a
organização, quase dois quintos (38%) de todas as mulheres vítimas de homicídio
foram assassinadas por seus namorados ou maridos.
As lesões físicas são um dos
maiores problemas enfrentados por essas mulheres: aproximadamente 42% das
mulheres que sofreram violência apresentaram lesões, que vão desde contusões e
fraturas até incapacidades crônicas.
Gravidezes não planejadas, abortos induzidos, problemas
ginecológicos e infecções sexualmente transmissíveis são outras consequências
frequentemente enfrentadas por mulheres que sofrem violência. Mulheres que
haviam sido abusadas física ou sexualmente eram 1,5 vezes mais propensas a ter
uma infecção sexualmente transmissível, inclusive HIV, em comparação com as
mulheres que não haviam sofrido violência.
Além disso, essas mulheres
estão sujeitas a desenvolverem uma série de transtornos psicológicos, como
depressão, estresse pós-traumático, ansiedade, dificuldades de sono, distúrbios
alimentares e tentativas de suicídio. Mulheres que sofrem
violência têm aproximadamente duas vezes mais chances de desenvolver depressão
ou de abusar de álcool ou outras substâncias tóxicas.
Os custos sociais e econômicos dessa violência são
enormes e têm efeitos em toda a sociedade, drenando recursos de vários setores.
O custo direto do sistema de saúde, sistema de justiça, assistência infantil e
assistência social, bem como custos indiretos, como perda de salários,
produtividade e potencial, são apenas uma parte do que as sociedades pagam pela
violência contra as mulheres.
No Brasil, a economia perde cerca de R$ 1 bilhão devido
às consequências da agressão sofrida pelas mulheres. Os dados são do segundo
relatório da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher, realizado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em
2017, em parceria com o Instituto Maria da Penha. A pesquisa acompanhou
10 mil mulheres nas nove capitais nordestinas desde 2016.
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