sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Agosto Lilás - Violência física e psicológica impacta na saúde das mulheres


Um tapa, um empurrão, um xingamento, um constrangimento, uma humilhação ou uma ameaça... A violência contra a mulher têm várias formas. E apesar de todas as medidas que vêm sendo tomadas nos últimos anos, a violência contra a mulher possui proporções epidêmicas, representando um importante problema de saúde pública global.

Os números deixam bem claro esse cenário assustador. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três mulheres em todo o mundo já sofreu violência sexual ou física. Na maioria das vezes, a agressão é realizada por seu próprio parceiro (ou ex-parceiro). Ainda segundo a organização, quase dois quintos (38%) de todas as mulheres vítimas de homicídio foram assassinadas por seus namorados ou maridos.

As lesões físicas são um dos maiores problemas enfrentados por essas mulheres: aproximadamente 42% das mulheres que sofreram violência apresentaram lesões, que vão desde contusões e fraturas até incapacidades crônicas.
Gravidezes não planejadas, abortos induzidos, problemas ginecológicos e infecções sexualmente transmissíveis são outras consequências frequentemente enfrentadas por mulheres que sofrem violência. Mulheres que haviam sido abusadas física ou sexualmente eram 1,5 vezes mais propensas a ter uma infecção sexualmente transmissível, inclusive HIV, em comparação com as mulheres que não haviam sofrido violência.
Além disso, essas mulheres estão sujeitas a desenvolverem uma série de transtornos psicológicos, como depressão, estresse pós-traumático, ansiedade, dificuldades de sono, distúrbios alimentares e tentativas de suicídio. Mulheres que sofrem violência têm aproximadamente duas vezes mais chances de desenvolver depressão ou de abusar de álcool ou outras substâncias tóxicas.
Os custos sociais e econômicos dessa violência são enormes e têm efeitos em toda a sociedade, drenando recursos de vários setores. O custo direto do sistema de saúde, sistema de justiça, assistência infantil e assistência social, bem como custos indiretos, como perda de salários, produtividade e potencial, são apenas uma parte do que as sociedades pagam pela violência contra as mulheres.
No Brasil, a economia perde cerca de R$ 1 bilhão devido às consequências da agressão sofrida pelas mulheres. Os dados são do segundo relatório da Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizado pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em 2017, em parceria com o Instituto Maria da Penha.  A pesquisa acompanhou 10 mil mulheres nas nove capitais nordestinas desde 2016.

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